' Falta tanta coisa na minha janela como uma praia, falta tanta coisa na memória como o rosto dele*, falta tanto tempo no relógio quanto uma semana, sobra tanta falta de paciência que me desespero. Sobram tantas meias-verdades que guardo pra mim mesma*, sobram tantos medos que nem me protejo mais, sobra tanto espaço dentro do abraço, falta tanta coisa pra dizer que nunca consigo..

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Corrupção e comodismo desenfreados;

A maioria das atualizações da minha timeline só mostram o quanto cada um de vocês merecem o país de merda que vivemos. Não sou contra bolsa família, você também recebe seguro desemprego. Não sou contra ajudar os que tem menos, afinal, muita gente não tem as mesmas oportunidades que você! Sou contra a corrupção, a roubalheira desenfreada, o não-investimento do NOSSO dinheiro em melhorias para NOSSAS vidas. Ou vocês ainda duvidam que, caso não houvesse tanto desvio de verba, o dinheiro seria suficiente para ajudar os que tem mais e os que tem menos? 


Sou contra um monte de idiota ficar julgando metade do país que votou na Dilma, enquanto votar no Aécio daria no mesmo. Seria trocar merda por merda. Sou contra, ninguém questionar que esses políticos são todos cartas marcadas, que nenhum deles tem caráter, integridade e comprometimento o suficiente para liderar um país. Sou contra esse monte de gente querendo eleger o "menos" pior, ao invés de lutar por candidatos dignos de nos representar no congresso. Mas talvez seja isso, essa é a representação que merecemos. Brasileiros que sempre querem tirar vantagem de tudo, não importa quem prejudique. Brasileiros que ofendem uns aos outros como se fossem melhores que alguém em algo. Brasileiros que usam a frase "o problema do Brasil é que, quem elege os governantes não é o pessoal que lê jornal, mas quem limpa a bunda com ele" - Você, que se julga tão melhor por ler jornal, está se mostrando mais "ignorante" do que aqueles que, de fato, não o leem. 


O Brasil realmente não vai pra frente, mas não é por causa do bolsa-família e exclusivamente da Dilma. Parem de hipocrisia! Não me digam que as pessoas não tem condições porque são acomodadas, por falta de trabalho ou coisas do tipo. Existe muita gente acomodada realmente. Mas também existe muita gente boa, batalhadora, que não tem condições decentes de sustentar uma família. Existe gente em situação de miséria onde a unica alternativa é sim, a ajuda do bolsa-família. O bolsa família não é a unica esmola que a população recebe, o salário minimo, a educação, a saúde, o transporte também são uma miséria. As condições dos brasileiros são desumanas. Em tantos países, o que vocês chamam de esmola aqui no Brasil, funciona. E funciona por que? Não é o "bolsa-família" que esta acabando com o Brasil, somos nós! E veja só que ironia, logo você, que julga tanto o "comodismo" alheio, se conforma com a "eleição do menos pior", se contenta em ter de escolher entre dois péssimos candidatos torcendo para que o fulano roube menos. Julga os nordestinos, os pobres, os "ignorantes", mas só pensa no próprio umbigo. Você que vê crianças morando na rua e não dá a minima. Que só pensa no "carrão do ano", na sua próxima compra, que deseja um candidato que governo pros ricos, não para os pobres. Que quer uma reforma política votando naquele que "também vai roubar, mas pelo menos vamos ser roubados por um novo politico". 


O problema não está na ajuda que o governo dá para os que precisam, está na má-utilização deste benefício. Está na corrupção desenfreada dentro do congresso. Está na indiferença das pessoas perante o sofrimento alheio. Odeio o PT! Odeio o PSDB! Sei que um mundo comunista não existe e que também não funcionaria. Existem pessoas e pessoas. E como já mencionei, existe muita gente acomodada mesmo. Mas também tem muita gente que precisa. Que trabalha, rala como você, e o dinheiro não dá nem para os remédios. Não tem condições de pagar um estudo melhor para os filhos, não tem condições de morar num local seguro. Enfim, os motivos são diversos. Mas em vários países funciona, só aqui que não! O sucesso de um país é medido pela quantidade de pessoas que não precisam desse beneficio, não o contrario. E todos sabemos que no Brasil, a roubalheira é tanta, que realmente não temos condições de nada. Nem você que está "bem" financeiramente, que dirá quem não está. Para de olhar só pra você, olha pro país como um todo. Tudo o que você tem é mérito seu, ótimo. Mas tudo o que você deixa de ter não é por culpa daqueles que não tem, é por culpa daqueles que tem muito mais que você e ainda assim, te roubam. A roubalheira é a mesma com a Dilma ou com o Aécio. Com auxílio pros "nordestinos", "pobres", "ignorantes" ou sem auxílio. 


Não adianta culpar metade do país por não eleger o "menos" pior. Isso tudo só vai mudar quando VOCÊ mudar! Seu preconceito, sua hipocrisia, seu "jeitinho brasileiro" de resolver as coisas. Quando as pessoas passarem a pensar mais umas nas outras, e a cobrar que as outras também sejam assim. Não adianta eleger o que rouba menos. Tem que eleger aquele que realmente faz, que realmente se importa, que realmente se compromete. Aquele que ninguém questiona a integridade, que está ali para melhorar o país, não o bolso. Não adianta querer votar certo quando só temos opções erradas. Enquanto a política for vista como oportunidade de ganhar muito dinheiro, isso não muda. Enquanto a política for dividida por candidato dos ricos e candidato dos pobres, nada acontece. Vocês já deveriam notar o erro ai. 


Um bom político é aquele que faz por todos. Que constrói um país melhor. Que batalha com você. Que cresce com você! Que dá condições para que todos usufruam dos mesmos benefícios: educação de qualidade, saúde de qualidade, transporte de qualidade, moradia de qualidade, empregos de qualidade. Não adianta só rotular brasileiro como vagabundo quando ainda temos um monte de situações degradantes no mercado de trabalho. Acho que batalhar para conquistar luxo, é uma coisa. Mas batalhar pra conseguir o básico, não é justo. Todos merecem as mesmas oportunidades e condições. O que tem que ser mudado, é a forma como isso é aplicado. É a supervisão para que ninguém acomode. São melhorias, para que funcione para todos. Mas acima de qualquer benefício do governo, o que tem que ser mudado mesmo, é a maneira como a maioria de nós pensamos hoje. Apontamos tanto a acomodação do outro perante o bolsa-família, mas somos extremamente acomodados com nossos políticos. Assistimos a corrupção de camarote e o máximo que fazemos é tentar escolher o "menos" pior. Vemos tanto desvio de dinheiro e o máximo que apontamos são "as pessoas que recebem o bolsa-família". 


Eu não sei se alguém já mencionou isso pra vocês, mas o poder pra mudar o Brasil está nas nossas mãos, não nas mãos da Dilma ou do Aécio. Não adianta culpar um ou outro, o grande erro das civilizações é se dividir ao invés de se unir. Não é uma luta entre o rico e o pobre, o instruído ou o ignorante, os nordestinos ou os sulistas. É uma batalha contra os corruptos. Contra a impunidade, pelo Brasil. Não é por você ou por mim, mas por todos nós. Enquanto tivermos esse pensamento arcaico continuaremos assim. Não é interessante para o governo que as classes se unam. Não é interessante que nosso foco sejam eles. Pensa só um pouquinho, você realmente conhece um político que valha o seu voto? Passou da hora disso acontecer. O #mudaBrasil vem de dentro pra fora. Que tal apontar e cobrar quem deve ser cobrado? 


Não é por esse ou por aquele partido, é pelo Brasil, é por mim, por você, pelos seus filhos, netos, por todos que ainda esperam por algo melhor. Não importa quem foi eleito, ou quem o elegeu, importa quais são as obrigações desse candidato, e se ele realmente vai cumprir com cada uma delas. Chega de roubalheira, chega de impunidade, chega de se conformar com o menos pior. Detestamos tanto os "acomodados" e agimos exatamente igual perante todo esse circo. Você não tem que escolher entre o que vai roubar mais ou menos, você tem que ter opções dignas. Politica tem que ser assunto sério, não caixa-extra. 


Eu quero mudança, quero melhorias, e quero agora! 
E você?

Não é pelos 0,20 centavos. Não é pela Dilma. Não é pelo Aécio. Não é pelo bolsa-família. 
É pela prestação de contas e serviços em prol da população. 


Pouco importa se você é rico ou pobre, não tem que ter divisão. Só unidos conseguiremos vencer essa corja de morcego mamando as nossas custas. 
Parem de dividir o Brasil! Dividam o Congresso. É lá que está o erro.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Tudo por um namorado;

'Um homem antissocial, ateu e que odeia criança, não muda, não é?', me perguntou uma amiga. 'Ele não gosta dos meus amigos, acha que eu deveria ser mais discreta, cortar o cabelo. Eu fico confusa com tudo isso, me acho fraca, e penso que deveria abrir mão de tudo por um relacionamento'. Pensei: saia correndo, troque de telefone, mude de endereço e pare de frequentar os mesmos lugares. Isso já não deu certo. 

Mas não falei.

Eu já fui essa garota. Quase todas nós já estivemos nesse papel. A gente se apaixona ou está carente ou decide que é hora de ter uma história estável e passa a aceitar o antes mal acompanhado do que só como se fosse a única saída. Se afunda até o nariz para encarnar de outra pessoa, a pessoa que o outro gosta, que não tem nada a ver com o que somos. Nos distanciamos cada vez mais de nós mesmas para sermos amadas por uma pessoa que não gosta do que a gente é de verdade.

Já vi acontecer com todo mundo. Uma amiga, cada vez que mudava de namorado, variava a roupa, a cor do cabelo, a seleção de música no iPod, trocava cerveja por suco verde. Ela, uma das pessoas mais urbanas que eu conheço, começou a usar botas e a passar os finais de semana numa fazenda. Depois teve o cineasta e vieram os jeans, o All Star e os baseados. Com o personal trainer, ela desapareceu porque dormia às 22h pra acordar antes de amanhecer e ir à academia. Ficou sarada, mas morria de saudade da balada e da birita. Ninguém mais sabia quem ela era, afinal. Nem ela.

Cansa demais. A gente fica exausta de interpretar, de querer agradar. Passamos o tempo todo pisando em ovos porque nunca sabemos se o que fazemos, o que vestimos, o que falamos é o esperado. Fingimos ser uma pessoa que a gente nem sabe como é direito. É um estado de alerta constante e uma frustração atrás da outra. Aos poucos a fantasia se desfaz e não sobra nem a abóbora pra contar a história.


Tive uma relação de dois anos exatamente assim. Eu me iludi e ele se enganou. No começo, fingi que não era comigo quando disseram que a gente não tinha nada a ver um com o outro. Já havia namorado bastante e vivido a solteirice o suficiente, tinha vontade de ter o mesmo alguém todos os dias. Ele me seduzia com um relacionamento estável e eu fazia o possível para nos convencer de que eu era tudo o que ele queria.

Aposentei meus saltos porque ele preferia tênis. Parei de usar batom. Engolia o cheiro do cigarro apesar de detestar. Trocamos as baladas pela Globo News. Ele queria passar os dias lendo no parque e eu sonhava com caipirinhas na beira da praia. Mudei meu guarda-roupa meio blogueira, meio coxinha, meio qualquer coisa que eu estivesse a fim por um visual hipster. Para minhas amigas eu era referência, para ele, careta. Deixei o cabelo curto, escureci e andava com as unhas sempre com cores esquisitas. Hipster. Ele gostava assim. 

Os dois ignoravam a falta de afinidade, de princípios, de objetivos em comum.  

Ele foi egoísta e eu manipuladora. Ele só pensava nele e eu fazia tudo para agradar porque tinha um objetivo: fazer aquela história errada dar certo. Ele se aproveitava da minha carência e desfrutava de uma vida legal. Eu me aproveitava dele pra brincar de casinha. Abri meu apartamento, apresentei meus amigos e dei a ele uma vida pra lá de descolada sendo meu namorado. E eu tinha um namorado pra desfilar por aí.

Nunca gostei dele de verdade, minha terapeuta dizia. Mas ele era o personagem disponível que faltava na história que eu queria pra mim naquele momento. Respirei aliviada quando acabou. Levei um chifre, sofri com a falta de lealdade, mas dei graças por ter finalmente um motivo, já que não tinha coragem, para acabar com aquele circo que nós dois tínhamos armado. Dois palhaços. 

Me lembro da primeira manhã de sábado quando acordei sozinha, atravessada na cama queen size e pensei, sorrindo: como é bom não ter que pensar o que 'nós' faremos hoje. Era eu comigo mesma. Então, me dei conta que não tinha planos. Estava perdida sem saber quem eu era, o que queria, as coisas das quais gostava. 


Levei um tempo recolhendo meus caquinhos. Fui aos poucos me reencontrando em minhas roupas abandonadas, em meus batons, em minhas músicas, nos lugares que tinha deixado de ir. A cada dia a gente se reconhece um pouco mais. E percebe que antes só do que viver uma história de faz de conta. 

- Mariliz Pereira Jorge.